A eternidade e sua magia

Desde priscas eras, nos primórdios dos tempos assinalados pela história, quando a humanidade ainda ensaiava os primeiros passos para compreender o que se encontra além da perecível matéria, o raciocínio impalpável utilizando os recursos da mente buscou incansavelmente a fórmula magistral do que seria a descoberta – e respectiva conquista, da eterna felicidade.

Lendas fabulosas surgiram narrando acerca da fonte da juventude, na Idade Média os alquimistas ensaiavam suas formulações secretas de poderosos elixires da juventude, e por aí vai…

Percebemos que existe uma estreita ligação entre juventude e felicidade. Por que será?

Se a juventude nos proporciona o vigor físico, a experiência não prescinde da vivência, e esta só se dá por meio do construtivo aproveitamento do curto tempo de vida saudável de que dispomos – 80 ou 90 anos? – em suma o caminhar dos anos e o avançar da idade é que nos permite adquirir o raciocínio ponderado, mais sensato, menos severo e radical.

É compreensível desejarmos utopicamente eternizar situações, momentos, que nos trazem satisfação e alegria, contudo havemos de aceitar que a dinâmica de nossas vidas, atrelada ao seu contínuo progresso, reduz a importância relativa de quadros vivenciados, ou até quimeramente plasmados em nossa tela mental, como sendo ímpares e necessários à conquista da almejada felicidade. Lembrando que por sua própria natureza ela não é estática, muito pelo contrário.

A dinâmica da vida, em todos seus estágios, situa o relativo estado de felicidade apenas como um experimento temporário atrelado a certo momento especial e benfazejo, este que será logo superado por novos desafios e pela constante busca de conquistas.

Destaque-se que o homem sempre situa a felicidade no passado ou no futuro, nunca no presente… A lembrança de circunstâncias especiais nos remete ao passado e dizemos que éramos felizes embora disso não nos apercebessemos, ou então prognosticamos que ao atingirmos determinada situação aí então seremos felizes. Vã ilusão…

Que tal buscarmos nas circunstâncias oferecidas pelo presente, a saúde física, o equilíbrio emocional, os recursos materiais que nos mantém – independente de seu montante – o trabalho digno, o auxílio ao próximo, a companhia de parentes, familiares e amigos, o cultivo do amor e da fé – não de maneira piegas, mas raciocinada e sopesada tendo em vista o horizonte maior da eternidade de nossas vidas bem assim a responsabilidade pessoal que temos diante dela… Não será esse o verdadeiro, consistente, e infindável caminho para trilharmos a rota da felicidade? Esta que se eterniza na trajetória ascendente de nossa essência, desde sempre?

Assim é que por sua natureza passageira a sensação de felicidade está muito longe de ser proporcionada pela conquista de bens materiais, mas sim pelos valores que sensibilizam nossa essência, nossa alma. Estes sim são extremamente valiosos, somam-se à nossa bagagem individual de seres eternos, atraindo inexoravelmente os desejados momentos de felicidade, pontilhando com harmonia e fecundo incentivo a escalada do progresso a que todos nos encontramos atrelados.

Pensemos nisso.